quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Erradicação da miséria e as novas tecnologias

Há muito tempo sem postar novamente no blog, vamos colocar esse espaço em atividade. Esperamos comentários e sugestões para ir aperfeiçoando nosso canto de afirmação de identidade.
O texto a seguir deixa a mostra a realidade que é posta pela dinâmica que permeia a sociedade moderna.

 

Erradicação da miséria e tecnociência

Por Renato Dagnino

 Renato Dagnino é mestre em Economia e doutor em Ciências Humanas. É professor titular no Departamento de Política Científica e Tecnológica da Unicamp
"A erradicação da miséria fará emergir demandas materiais por bens e serviços com características e numa quantidade inusitadas.
Satisfazê-las atendendo os requisitos econômicos, sociais, culturais e ambientais complexos e originais existentes exige mobilização singular de nosso potencial de geração de conhecimento tecnocientífico.
Os requisitos, a abordagem interdisciplinar requerida, o tipo de situação-problema a equacionar e o modo de fazê-lo (com a participação de “usuários” até agora ausentes do cenário da produção de conhecimento), implicam um desafio jamais enfrentado.
É possível identificar dois tipos de bens e serviços relacionados à erradicação da miséria.
O mais óbvio é aquele atinente às necessidades básicas - alimentação, moradia, etc. – e que, para cumprir com o requisito de geração de trabalho e renda, deverão ser produzidos pelos segmentos sociais hoje marginalizados.
No segundo tipo estão os bens e serviços de natureza pública que o Estado deve proporcionar a todos os brasileiros (incluindo, é claro, os hoje excluídos). Necessários para implementar políticas públicas cujo custo se tem mostrado alto e crescente, eles são hoje quase exclusivamente adquiridos de empresas privadas.
A orientação de uma parte do enorme poder de compra do Estado para empreendimentos solidários formados pelos excluídos da economia formal aumentará a eficiência, eficácia e efetividade das políticas públicas. Entre outras coisas, porque se estará gerando trabalho e renda em espaços onde a tecnologia convencional - desenvolvida pelas e para as empresas – é crescentemente incapaz de fazê-lo.
A informação oficial permite estimar implicações e dificuldades associadas à incorporação desses trabalhadores à produção.
Sobre seu impacto potencial, veja-se que dos 160 milhões de pessoas que compõem a População em Idade Ativa, quase dois terços não trabalha em empresas; mas pode ser incluída na Economia Solidária.
Os empreendimentos solidários já geram 1% do PIB, ocupam 1% da população do País e estão aumentando 10% ao ano!
Para isso é urgente contar com conhecimento tecnocientífico apropriado alternativo ao convencional. Ou seja, se preferir o leitor, com o que tem sido chamado entre nós, em favor da brevidade, Tecnologia Social.
As dificuldades que invalidam “soluções” convencionais também podem ser estimadas.
Nos últimos 8 anos, 30 milhões de brasileiros excluídos que “ganharam o peixe” ajudaram a empurrar para cima o consumo e a produção. E foram gerados 15 milhões de empregos formais que permitiram absorver nosso crescimento populacional. Mas é pouco provável que programas compensatórios possam manter essa relação de 2:1. A inclusão produtiva dos que não serão absorvidos pelas empresas é vital para o crescimento.
Dos 33 milhões inscritos no Bolsa Família, só 18% se beneficiou dos empregos formais gerados. Quando isso aconteceu, permaneceram no emprego apenas 11 meses (contra os 62 da média nacional e os 134 daquela dos trabalhadores da OECD). E isso apesar de que 90% dos empregos eram de baixa “qualificação”.
Mas essa “baixa qualificação” dos excluídos, associada ao fato da produção daqueles dois tipos de bens e serviços não ter incorporado conhecimento tecnocientífico aderente àqueles requisitos, é o grande desafio.
Professores, pesquisadores, estudantes, movimentos sociais e gestores públicos, sob a coordenação do Ministério da Ciência e Tecnologia, terão um papel central, gratificante e proveitoso na erradicação da miséria."
Fonte:  Folha de Sampa.

quinta-feira, 2 de junho de 2011



Carta aberta da ENESSO a tod@s estudantes de Serviço Social do Brasil
ENESSO - Executiva Nacional dos Estudantes de Serviço Social

No último dia 12 de maio de 2011, as entidades representativas do Serviço Social lançaram a campanha nacional e defesa do trabalho e da formação com qualidade com o slogan “Educação não é fast food: diga não a graduação à distância em Serviço Social”.  Essa campanha tem o objetivo de denunciar e se contrapor a essa modalidade de ensino que precariza, mercantiliza e descaracteriza a educação superior brasileira, transformando o direito a educação em serviço, e um serviço desqualificado.
Sendo assim, a ENESSO vem publicizar seu posicionamento, juntamente com as entidades da categoria a favor da campanha e em defesa de uma formação com qualidade.

Após as reformas do governo no âmbito da educação, são muitas as incoerências e as incongruências na oferta, ampliação e uma falsa democratização do ensino, uma vez que, o discurso que é propagado remete a uma estratégia do governo de fazer com que esse acesso aconteça, no entanto, não considerando a forma como isso se processa e o discurso da ampliação do acesso ao ensino superior.

Em decorrência desse método de ampliação sem qualidade e sem responsabilidade, temos um cenário que coloca na ordem do dia uma construção ideológica em torno do sonho do diploma de concluinte do ensino superior, do sonho de assistente social que os barões da educação – aqueles que fazem questão de mercantilizar esse direito – insistem em usar como propaganda para ludribiar e enganar diversos sujeitos que constantemente são vitimizados pela lógica desse sistema.

Dessa forma criam-se as chamadas “oportunidades”, segundo o pensamento burguês mercadológico, usando os artifícios mais sujos e desrespeitosos possíveis para impor um interesse particular de um grupo que não se preocupa nem de longe com a formação de qualidade e sim com o lucro, quais sejam os artifícios, o desrespeito regional, a oferta de um serviço precário, os vínculos empregatícios dos docentes a partir de contratos fragilizados e, sobretudo, o descaso para com a subjetividade de tantos sujeitos que entram nesse jogo desrespeitoso.

Essa campanha é provocativa, direta e tem o objetivo de mostrar que competência para legislar e discutir o que serve ou não, o que é certo ou não, o que responde as demandas ou não, enfim, pra debater matéria de Serviço Social no Brasil cabe ao conjunto CFESS/CRESS, ABEPSS e ENESSO.
Logo, nossa intenção com a campanha é dialogar com a sociedade, com a categoria, com os estudantes EAD e presencial sobre essa realidade, não agindo com preconceito ou, indivíduos, mas enfrentando politicamente essa lógica mercantil com vistas a unirmos força contra essa modalidade de ensino que não contempla a formação em Serviço Social segundo as nossas diretrizes curriculares e o nosso Projeto Ético Político.

“Educação não é fast food: diga não a graduação à distância em Serviço Social”

Por uma educação pública, laica, gratuita, de qualidade, socialmente referenciada e presencial para todos!

ENESSO Vermelha(2010-2011)